Home » Blog » Uma falsa bonanša se aproxima do Rio Xing˙


Por Carlos Bordalo
Com promessas mirabolantes de geração de emprego e desenvolvimento, como sempre, mais um grande projeto se abanca na volta grande do Xingú. Desta vez para extração de ouro.

Uma empresa canadense, chamada Belo Sun, pretende colocar em operação o “maior programa de exploração de ouro do Brasil”, a apenas 14 quilômetros de distância da barragem da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, em Altamira. A exploração de ouro na região envolveria a remoção de nada menos que 37,80 milhões de toneladas de minério.

Entretanto, a área não é desocupada. Há mais de 60 anos, garimpeiros exploram o local com atividades de pequeno porte. Somente em 2015, a cooperativa de garimpeiros denunciou que a empresa queria expulsar cerca de dois mil garimpeiros da região, sem direito a indenizações. Os Indígenas que habitam a área, da etnia Yudja, sequer foram consultados.

A primeira pergunta a se fazer é para onde irá esta riqueza? Com certeza para os índios e os garimpeiros, não.  Nem para o município de Senador José Porfirio,onde fica a área de exploração. Vai direto para o Canadá, gerando, segundo estimativas da mineradora, míseros R$ 235 milhões por ano, nos próximos 17 anos, em impostos. Isto é ridículo perto do custo social que este mega impacto causará a área.

Sabemos que no entorno de grandes projetos, a única coisa que se acumula é a miséria e a violência. Vejam o entorno de Altamira, no canteiro da obra proliferaram prostíbulos que exploravam meninas de até 11 anos de idade.

Vejam os índices de violência de Altamira e de Parauapebas, o custo do Estado em aparelhar-se para dar conta de toda a infraestrutura pública necessária para acompanhar a demanda de um projeto deste porte será muito maior do que os R$ 235 milhões anuais que irá gastar. Isto sem perder de vista a possibilidade de ocorrer uma tragédia como a de Mariana, em Minas Gerais.

Para extrair o ouro da rocha, a mineradora vai usar uma substância tóxica, o cianeto que, segundo o professor de engenharia química da USP, Jorge Tenório, se chegar no rio ou cair no solo, vai haver uma catástrofe ambiental.

A tempo de impedir o início das operações, que já deveriam ter começado em 26 de maio passado, o Ministério Público Federal recomendou à SEMA que não liberasse o Projeto, porque não foram feitos os estudos de impacto ambiental e a consulta aos indígenas.

Embora eu tenha ouvido a declaração do Secretário de Estado de Meio Ambiente, delegado Luis Fernandes, que disse "Se não tiver a viabilidade ambiental e socioeconômica, com certeza absoluta não é bem vindo ao Estado do Pará”. Tenho a obrigação de afirmar, neste caso menos é mais.

Menos investimento num mega projeto, gerará mais riqueza à longo prazo. Há mais de 60 anos garimpeiros exploram aquele ouro, ou seja, se permitimos que alguém retire tudo em 17 anos, expulsaremos os garimpeiros da área que ficarão a míngua na área, reforçando a miséria. Pressionaremos os indígenas que terão de conviver num ambiente socialmente hostil, ao invés de prolongar a exploração mais racional e inclusiva de famílias por outros 60 anos

Assim, o Estado do Pará deveria se debruçar sobre uma solução para racionalizar a exploração existente, de forma que ela não atraia um grande fluxo migratório para região, impondo parâmetros rígidos de fiscalização e controle dos impactos, que mesmo assim ocorrerão.

Diante disso, há a necessidade de se avaliar se a volta grande do Xingu comporta um novo empreendimento, pois qualquer desastre ambiental que ocorra naquela região é de magnitude incalculável.

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