Home » Blog » Parlamentar denuncia precariedade da rede hospitalar para crianças


O deputado estadual Carlos Bordalo (PT) denunciou nesta terça-feira (25), em pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa do Pará, a precariedade da rede hospitalar para crianças no Estado. Segundo reportagem veiculada pela imprensa local, o Pará perdeu 145 leitos infantis nos últimos seis anos. Em 2010, eram 2.750 leitos, enquanto em 2016 o número caiu para 2.605.

“Quando o assunto é saúde pública no Pará, podemos apresentar uma lista interminável de problemas. A população paraense sofre diariamente com a escassez e a precariedade na oferta de um serviço considerado essencial, o que torna o cidadão vulnerável, expondo-o aos mais diversos riscos, principalmente quando se trata de crianças”, afirmou o parlamentar. “Faltam hospitais, equipamentos, insumos básicos, médicos, enfermeiros, mas sobram problemas e descaso com a saúde do paraense”, completou.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria no Pará, é necessário pelo menos 20% a mais de leitos infantis para suprir a demanda básica do Estado. Só há 1,99 leitos de UTI Neonatal a cada 1 mil nascidos vivos. “Essa é uma situação gravíssima, porque as crianças muitas vezes chegam a um serviço de pronto-socorro e não têm para onde ser encaminhadas. Sofrem a família, a criança e a equipe médica. Com isso, as filas na central de leitos se tornam intermináveis, o que é uma atrocidade, porque quem cuida da regulação dos leitos acaba tendo que brincar de ser Deus, selecionando por gravidade os que serão agraciados com um leito e os que não serão”, criticou.

O parlamentar chamou a atenção para a situação caótica nos hospitais de pronto-socorro que naturalmente já funcionam com superlotação. “É comum encontrarmos crianças com adultos em leitos inapropriados e sem o atendimento necessário. Sem médico especialista, a criança recebe atendimento paliativo que em nada contribui para a melhora do seu quadro de saúde – pelo contrário, não raro a situação pode evoluir para óbito em muitos casos”. 

Nesta mesma reportagem, a vice-presidente da Sociedade Paraense de Pediatria, dra. Aurimery Chermont, alerta para a necessidade urgente de criação de um pronto-socorro pediátrico em cada município e no mínimo mais duas maternidades neonatais, como a Fundação Santa Casa de Misericórdia, para atender a população. “O que vemos, no entanto, é que não há pronto-socorro especializado nem na Região Metropolitana”, afirma a médica na reportagem.

O deputado Bordalo acredita que a dificuldade de acesso e a ineficácia dos serviços prestados na Atenção Primária têm contribuído cada vez mais para a superlotação dos hospitais públicos, onde milhares de paraenses padecem nas filas, mendigando por uma simples consulta, um exame diagnóstico ou uma cirurgia eletiva. “A crise na saúde pública no Pará é grave, especialmente, sob três aspectos básicos: a deficiência na estrutura física e insuficiência dos serviços, a falta de disponibilidade de material-equipamento-medicamentos e a carência de recursos humanos. Problemas que não podem ser atribuídos somente a falta de recursos. Pelo contrário, a maioria destes problemas se resolve com boa gestão”, pontuou. 

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