Home » Blog » LER/DORT: uma dura realidade na vida das mulheres brasileiras


O movimento conhecido como Outubro Rosa nasceu nos Estados Unidos, na década de 1990, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A data é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença. Então, aproveito este mês, que é merecidamente dedicado a uma causa tão importante, para chamar a atenção também para outro problema do qual as mulheres são as maiores vítimas, porém passa despercebido.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, as mulheres são as principais vítimas de doenças conhecidas como LER/DORT (Lesão por Esforço Repetitivo/ Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). Dos casos de LER/DORT em todo o país, 85% são notificados em mulheres.

A condição imposta à mulher dentro da sociedade capitalista é que resulta nos altos índices de adoecimento: LER/DORT, depressão, estresse, doenças físicas e psíquicas são frutos da tripla jornada de trabalho. Não é só o câncer, portanto, que precisa ser prevenido e tratado, mas todas as outras formas de adoecimento que acometem a mulher brasileira. 

Muitas mulheres, em plena fase produtiva, são obrigadas a se afastar do trabalho. Outro fator agravante é que, em geral, a doença evolui para a incapacidade parcial e, não raro, para a incapacidade permanente, resultando em aposentadoria por invalidez e comprometendo o desempenho de outras atividades.

Entre as diferentes estratégias para a prevenção das LER/DORT estão a adoção de pausas e rodízios de atividades, evitando, assim, a sobrecarga das mesmas estruturas. Porém, nem sempre isto é possível em nossas empresas, que comumente atribuem o adoecimento a uma questão natural e biológica do sexo feminino. Neste sentido, a doença é tão-somente “culpa de quem adoece”.

Embora a maioria dos trabalhadores que buscam serviços de saúde seja mulheres com o diagnóstico de LER/DORT, a relação entre gênero, saúde e trabalho continua sendo desconsiderada, perpetuando a lógica capitalista, masculina e liberal. É urgente e fundamental a superação da leitura culpabilizante sobre o adoecimento da mulher por LER/DORT. Sabemos das dificuldades de se estabelecer o nexo causal entre o trabalho e o adoecimento dos trabalhadores e trabalhadoras. No entanto, o SUS precisa assumir esta questão.

Diante disso, é importante questionar de que forma a Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa) tem atuado, por meio dos seus órgãos, com ações de vigilância em saúde do trabalhador enquanto articulador das intervenções nas relações entre o trabalho e a saúde, no que se refere a LER/DORT em mulheres trabalhadoras.

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