Home » Blog » Chacina de Belém: dois anos depois, a matança continua


A cidade de Belém vive o auge da violência. Há dois anos, ocorreu uma chacina que vitimou mais de dez jovens, que foi associada a uma suposta vingança devido ao assassinato de um policial.

O policial em questão era o cabo PM Antonio Marco da Silva Figueiredo, de 43 anos, mais conhecido como “Cabo Pety”, da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam). Na época do crime, ele estava afastado por responder a uma ação criminal por homicídio. Após sua morte, em 3 de novembro, o que se viu foi uma onda de execuções nos dois dias seguintes (4 e 5) de jovens moradores dos bairros da Terra Firme, Jurunas, Guamá, Marco, Tapanã e Conjunto Sideral.

Em dezembro do mesmo ano, fui relator da CPI das Milícias, instaurada para apurar a atuação de milícias e grupos de extermínio no Estado do Pará.

Aprovada no dia 19 e instalada no dia 22 de dezembro de 2014, a CPI foi inicialmente prejudicada pelo recesso do Judiciário e do Ministério Público, o que dificultou o acesso a processos e informações. Esta CPI teve prazo limitado e realizou oitivas com todos os oficiais da Polícia Militar, praças, delegados e delegadas de Polícia Civil, advogados, promotores de Justiça e defensores de Direitos Humanos. 

Porém, continuam a ser registrados casos que configuram execução. A cada semana, são divulgados assassinatos com características semelhantes: o uso de arma de fogo, manuseados geralmente por pessoas dentro de carros de cor preta ou prata, com vidros peliculados, o que impede de ver o rosto de quem atira nas pessoas.

As vítimas também têm características em comum: pele parda ou negra, faixa etária de 15 a 22 anos, são moradoras de zonas periféricas de Belém e a maioria tem algum tipo de envolvimento com a criminalidade. Por este motivo, apontam estas mortes em massa como genocídio.

Porém, esta matança não tem ocorrido somente em Belém. E, de 2014 até os dias atuais, o número de casos de mortes envolvendo policiais e jovens da periferia só aumentou. Segundo o Anuário da Segurança Pública 2016, as capitais concentram 26% dos assassinatos. Em 2015, foram 15.008 homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Destes, 1.836 eram policiais, sendo 103 mortos em serviço e 290 fora.

Comparando com outros países, os números assustam ainda mais. Por exemplo, no Anuário consta que, entre 2009 e 2015, policiais brasileiros morreram 113% mais em serviço do que os policiais americanos. E entre janeiro de 2011 e dezembro de 2015, ainda de acordo com o Anuário, o Brasil superou a Guerra na Síria em número de mortes violentas intencionais: foram 279.592 mortos em território brasileiro e 256.124 na Síria.

Os números alarmantes da violência no Pará deixa a população amedrontada e nos obriga a tomar atitudes, cada um de acordo com sua competência legal. E principalmente o Governo do Estado, junto à Prefeitura de Belém, precisa criar estratégias de combate à violência - sem gerar mais violência - e investir em políticas públicas de prevenção ao envolvimento de jovens no crime.  

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