Home » Blog » Bordalo realiza audiência pública para discutir fechamento de agências do Banco do Brasil


19/12/2016

O Deputado Estadual Bordalo promoveu em conjunto com o Sindicato dos Bancários do Pará na manhã desta segunda-feira (19), no auditório da Alepa, audiência pública referente ao fechamento de quatro agências do Banco do Brasil no Pará. Participaram do evento o diretor do sindicato, Gilmar Santos; o superintendente do banco no estado, Edvaldo Souza; Fábio Pantoja, da associação dos funcionários do banco (Anabb); Vera Paoloni, diretora de comunicação da CUT-PA; Marcus Araújo, presidente da CTB-PA; Antônio Menezes, presidente da associação pró-turismo de Mosqueiro; Leirson Azevedo, professor e morador da Ilha; e a vereadora Sandra Batista.

O objetivo do encontro foi ouvir as demandas dos funcionários da instituição, dos moradores do Mosqueiro – que terá a única agência do Banco do Brasil fechada – e da própria instituição, para que se entenda os motivos da medida. Bordalo enfatizou que é contra o fechamento das unidades bancárias, principalmente no distrito de Belém, visto que a única agência mais próxima da localidade fica no município de Benevides, distante 40 quilômetros do centro de Mosqueiro. 

“A ilha é um dos principais destinos turísticos do Pará, tem população estimada em 40 mil habitantes, estima-se que seja até mais, é um balneário que recebe até 300 mil pessoas em período de pico, portanto é inconcebível fechar essa agência, que é lucrativa, que já ganhou prêmio de ouro do banco. Somos totalmente contra esse fechamento. Não é uma posição do parlamento apenas. O parlamento está repercutindo uma posição que é da comunidade”, comentou.

O superintendente do banco no estado, Edvaldo Souza, justificou que o fechamento das agências ocorre em virtude da substituição das funções administrativas do banco por tecnologias que possam viabilizar o serviço aos clientes. A expectativa é que 15 milhões de clientes com aplicativo de celular até dezembro de 2017. “Nós temos atualmente 63 milhões de clientes e esse dado é de pessoas que efetivamente usam o celular e fazem ao menos uma transação. São os atributos do atendimento moderno, o mundo está em constante transformação. Temos o atendimento gerenciado, a conveniência digital é estendida. Escritórios que atendem das 8h às 22h, tem uma pessoa responsável por suas demandas. Quando abre pedido, imediatamente as pessoas respondem. Agilidade na conclusão dos negócios”, comentou.

A posição do superintendente foi, no entanto, contestada pelo Deputado e pelos demais participantes da audiência, em virtude da realidade do uso e do acesso a serviços que exigem internet e aparelhos eletrônicos – o que nem toda população tem disponível. “Uma coisa é fechar uma agência para transitar para o mundo virtual num estado como Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, o outro é na Amazônia, no Pará, onde o nível de acesso à internet é precaríssimo e temos ainda nível educacional em construção e milhões de paraenses que precisam receber suas aposentadorias numa agência bancária e não podem ficar reféns de ter que caminhar quilômetros para receber”, enfatizou Bordalo.

O Deputado recebeu ds moradores e dos sindicatos e movimentos um abaixo-assinado com cerca de três mil assinaturas, além de uma carta de repúdio em que se posicionam contra o plano do Banco. O deputado informou que vai enviar os documentos ao Governo Federal e à diretoria executiva da instituição em Brasília.  

Sociedade critica medidas

O diretor do Sindicato dos Bancários, Gilmar Santos, disse ainda que o fechamento das agências representa uma piora ao atendimento aos clientes. “Também não contribui para a economia das localidades, tem um papel social muito importante, por isso não concordamos. O acesso à internet na nossa região não é de qualidade. Não somos contra o uso da tecnologia, só que não se pode implementar mudanças de uma hora para outra, nivelando todos por cima. Não podemos tratar igual os desiguais. Nem todo paraense tem condições financeiras de comprar um celular adequado para acessar sua conta”, comentou.

O professor Leirson Azevedo espera que a decisão de fechamento da agência do Mosqueiro possa ser revertida. “Muitos outros já fecharam as portas. Ficamos pensando, vai ficar só o Banpará? Isso é retroceder para a década de 1980, cada vez mais fortalecer essa trincheira. Parlamentares, comunidade, os amantes de Mosqueiro. Hoje o acesso à internet lá é muito ruim, eu tenho wi-fi e o serviço não é bom. Imagina quem não tem ou mora distante do centro?”, questionou.

Antônio Menezes, presidente da associação pró-turismo de Mosqueiro, lembrou que a medida pode prejudicar os comerciantes. “Essa medida é leviana e um descalabro. É impensável viver no Mosqueiro sem uma agência bancária decente. Nós, empresários, comerciantes, barraqueiros, mexemos com dinheiro. Você tem que pegar e depositar numa agência. E vai ter que ir para Benevides. E com a insegurança, com certeza seremos roubados. Para nós, isso significa que empreendimentos possam fechar”, projetou.

Sobre o Plano

O plano de reestruturação das agências do Banco do Brasil foi anunciado no último dia 20 de novembro e prevê além do fechamento da agência do Mosqueiro, a extinção da unidade bancária da avenida 9 de janeiro, no bairro da Cremação, e fusão das agências localizadas nas avenidas Gentil Bittencourt e Generlíssimo Deodoro, no centro da capital.

Para atender o processo de reestruturação, serão criados dois grandes escritórios na capital para receber os clientes. A criação das unidades está prevista para ocorrer ainda no primeiro semestre do próximo ano. 

superintendente do BB esclareceu ainda que os clientes da agência de Mosqueiro poderão ser atendidos no município de Benevides  e que os funcionários serão remanejados para as cidades de Ananindeua, Benevides e Marituba, e que o Banco Postal será mantido na comunidade.  

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