Home » Blog » Artigo: O impeachment e o golpe


Por Carlos Bordalo

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro(foto), afirmou na semana passada que está à espera de respostas da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH) e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, sobre "a legalidade das causas invocadas" para o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Almagro é uma das vozes internacionais que questionaram os fundamentos do processo de destituição de Dilma.

O Secretário Geral da OEA levanta “incertezas jurídicas” do impeachment que são abordadas por vários juristas, dentro e fora do Brasil, de políticos, fora e dentro, de organismos internacionais, desde a Unasul até as Nações Unidas.

É impressionante a diferença de abordagem do Secretário Geral da OEA, frente ao STF, por exemplo. Enquanto a Ministra Rosa Weber indaga a Presidenta Dilma para saber por que se refere ao Impeachment como Golpe, o chefe da OEA parece querer saber do STF por que se refere ao Golpe como Impeachment.

Todo o planeta e até a velhinha de Taubaté sabem que o impeachment é golpe, que serve apenas para amordaçar o Ministério Público e a Justiça. Que o Golpe serve apenas para livrar a cara de Aécio Neves, Eduardo Cunha, Romero Jucá, José Serra e todos os que foram listados na lista da Odebrecht, na lista de Furnas, na lista do Ministério Público da Suíça, na Operação Zelotes, na Lista do HSBC, que traz à tona a quase totalidade do congresso nacional e do senado federal, com graves implicações nos Estados, inclusive no Pará.

Pois não faz muito tempo, políticos paraenses foram vistos adulando e bajulando figuras como Eduardo Cunha e Aécio Neves. Teve até deputado federal do Pará, processado no STJ, fingindo conduzir o ex presidente Lula, quando quem pode ser conduzido a cela é ele mesmo.

A OEA está de olho no Brasil, mas, estranhamente, quem se arvorou a ir as ruas pedindo o fim da corrupção, hoje está calado, sem bater panelas, com a camisa da seleção guardada esperando pela Copa América, pois, por vergonha própria ou alheia à amarelinha, pode acabar esquecida no fundo da gaveta.
 

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